A guerra é uma das coisas que mais me chama a atenção na história humana. Sou apaixonado por filmes do gênero, não pela barbárie, mas pelo conteúdo no mínimo digno de um manicômio que eles trazem. Creio que a única função da cabeça para um soltado, é servir de mira para o inimigo. Vou contar abaixo alguns casos ocorridos em nossa curta história humana. My Lai. Durante a guerra do Vietnã, os integrantes da 11° Brigada de Infantaria Norte-Americana, suspeitando que os habitantes de uma vila chamada My Lai fossem guerrilheiros e simpatizantes, abriram fogo contra os habitantes. Tratava-se de idosos, mulheres e crianças, em um total estimado de 504 pessoas que foram cruelmente assassinadas. Antes de serem mortas, algumas das vítimas foram estupradas e molestadas sexualmente, torturadas e espancadas. Alguns dos corpos também foram mutilados. Foram comandados pelo tenente William Calley em 16 de março de 1968. Hugh Thompson, Jr., piloto de um helicóptero, ao presenciar a cena e utilizando da própria aeronave americana, abriu fogo contra os soltados americanos que promoviam o massacre.
A história nas mãos de jornalistas ajudou a pressionar o Presidente Nixon para a saída dos norte-americanos do Vietnã. Em 1970, 25 soldados foram indicados pelo exército americano por crime de guerra, mas apenas William Calley foi julgado. Condenado a prisão perpétua, recebeu o perdão pelo próprio Presidente Nixon após dois anos, cumprindo posteriormente apenas três anos de prisão domiciliar. Já Thompson foi colocado em várias missões arriscadas, ato considerado por muitos como uma punição. Seu reconhecimento veio trinta anos mais tarde, com a Medalha do Soldado.
“Numa entrevista ao programa de tv 60 Minutes, perguntou-se a Thompson qual eram ainda seus sentimentos com relação aos soldados da Companhia Charlie envolvidos no massacre de My Lai. Ele respondeu: “Eu entendo, Eu quero dizer que sou homem suficiente para perdoá-los, mas jurei a Deus... eu não posso”.”
A vida das 504 pessoas não valeu muita coisa para os soldados americanos. É vasto o material de declarações do evento. Destaco uma destas declarações: "Ainda ouço com nitidez os gritos dos soldados que irromperam em minha casa naquela manhã. ‘Tudi maus, tudi maus!’ Não sei o que isso queria dizer. Nem sei se era inglês ou uma imitação de vietnamita, mas era o que gritavam enquanto apontavam para nós e faziam sinais para sairmos. ‘Tudi maus, tudi maus!’ Minha mãe me disse para fugir e me esconder. Minhas irmãs corriam atrás de mim seguidas pela minha mãe com meus dois irmãos pequenos; o menor, tinha dois anos. Quando íamos entrar no abrigo, nos metralharam. Seus corpos caíram sobre mim" - Cong Pham Thanh, que tinha onze anos no dia do massacre.
De tudo isso tiramos uma lição: somos animais irracionais.
*Resolvi dividir o assundo em várias postagens por dois motivos: primeiro por causa da demora em manter uma postagem regular; segundo porquê a matéria se tornou extremamente extensa.

I will not agree on it. I regard as nice post. Particularly the title attracted me to be familiar with the unscathed story.
ResponderExcluir